Krishnamurti

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RARA ENTEVISTA DE KRISHNAMURTI
Entrevista de Krishnamurti na edição nº. 2 de PLANETA de outubro de 1972, transcrita pela Instituição Cultural Krishanmurti
Instituição Cultural Krishanmurti transcreveu os trechos mais importantes de uma das raras entrevistas concedidas por Jiddu Krishnamurti (1895-1986) durante toda a sua vida. Publicada originalmente na edição nº. 2 de PLANETA de outubro de 1972, ela traz as idéias centrais do seu ensinamentos, confundidos como filosofia e muitas delas bastantes polêmicas, como a aversão pelos símbolos e a falta de crença no poder da oração.
Por Carlo Suarès
Krishnamurti nasceu no sul da Índia. Um dos numerosos filhos de uma família de brâmanes pobres, foi adotado com a idade de 9 anos, juntamente com seu irmão Nitya, por Annie Besant, discípula de Madame Blavatsky, fundadora do movimento teosófico, que dizia ter instruções ocultas a respeito do menino. Ela via nele o “veículo” em preparação de um novo “instrutor do mundo”. O adolescente era uma dessas criaturas excepcionais que muito raramente – uma vez no decorrer de inúmeros séculos – iluminam de maneira nova a consciência humana. Pouco tempo depois, em 1910, uma vasta organização mundial, contando centenas de milhares de adeptos espalhados em todos os continentes, foi criada para receber o instrutor anunciado, e Krishnamurti, apesar de sua pouca idade, assumiu a direção do movimento.
Ele e seu irmão foram educados na Inglaterra, França e Califórnia, em vista de sua missão futura, mas esse período de intensidade eufórica terminou bruscamente com a morte trágica de Nitya. Nesse meio tempo, um centro permanente tinha sido criado no norte da Holanda, em Ommen, onde o castelo de Eerde e dois mil hectares de terra tinham sido doados a Krishnamurti. Um campo foi trabalhado desde 1925. Não parou de crescer até o momento da guerra. No verão, cerca de três mil pessoas ali iam ouvir a palavra de Krishnamurti.
Ao regressar da Califórnia, e amadurecido pela morte do irmão, o jovem pregador começou a dizer algo bem diferente do que podiam imaginar seus tutores. Rejeitava toda espécie de autoridade, todo ensinamento espiritual, toda crença. Não era uma revolta por reação, mas ele percebia que, se desejamos penetrar profundamente o mistério da vida – e da morte –, o único ponto de penetração somos nós mesmos.
Em 1928, Krishnamurti libertou-se totalmente: anunciou a dissolução total e irreversível da organização criada a sua volta, a recusa de ter um único discípulo (a verdade repetida é uma mentira, pregava ele), a restituição de todos os bens que lhe tinham sido doados, a recusa de aderir a uma crença qualquer, ainda que fosse a da sua própria missão. “Nenhuma crença organizada pode liberar o homem que procura a verdade”, afirmava ele. Hoje, acrescenta: “Nenhuma crença de espécie alguma, organizada ou não, pode nos orientar para a verdade.”
As reuniões de Ommen terminaram com a guerra. Desde então, Krishnamurti viaja pelo mundo: vai onde o convidam, contanto que lhe ofereçam moradia, transporte e subsistência. Volta todos os anos à Índia e à Califórnia. No outono de 1968, falou em diversas universidades americanas, entre as quais Yale e Berkeley. Suas conferências são muitas vezes poesia pura e, em agosto de 1970, iniciou uma palestra dizendo: “Escutem nosso canto.”
Documento único – Considerado uma grande possibilidade de nossa época, pela maioria dos pensadores contemporâneos, e tendo estabelecido sua vida e seu pensamento bem longe dos compromissos deste mundo, até aqui Krishnamurti jamais concedeu entrevistas ou colaborou em revistas periódicas. Só abriu exceção para PLANETA. Este é, portanto, um documento único.
E ele começa dizendo: “Todos nós sabemos que esta época é explosiva, que os meios humanos, conservados mais ou menos inalterados durante milhares de anos, foram repentinamente multiplicados milhões de vezes; que os computadores, para citar apenas um exemplo, tornam-se de hora em hora mais fantásticos; a biologia está à beira de descobrir o mistério da vida e mesmo de criar a vida; a Lua já foi visitada. Sabemos que os dados mais bem fundamentados das ciências estão ruindo; que tudo está sendo constantemente repensado e que os cérebros humanos são obrigados e forçados a se pôr em movimento. Na confusão atual, o homem está à procura de uma segurança material que só pode ser encontrada através dos conhecimentos tecnológicos. As religiões tornaram-se superestruturas que não possuem mais uma importância vital nos acontecimentos do mundo, enquanto as questões fundamentais permanecem sem resposta: o tempo, a dor, o medo.”
“E será que o homem ultra-moderno, que está tão a par das últimas descobertas científicas, teria incendiado seu universo inconsciente? Enquanto uma única parcela inconsciente permanecer nele, ele projetará uma irrealidade de símbolos e de palavras em virtude da qual terá a ilusão de se comunicar com alguma coisa superior.”
PLANETA – Gostaria de lhe fazer perguntas a respeito da religião. As grandes religiões atuais nasceram em épocas em que a Terra era um disco chato, em que o Sol percorria a abóbada celeste, etc. Até uma era recente, – Galileu não está muito longe, – elas impunham pela violência uma imagem infantil do cosmos. Hoje, forçadas pelas circunstâncias, caminham de mãos dadas com a ciência e contentam-se em confessar que suas cosmogonias são apenas simbólicas. Mas proclamam que, apesar dessa capitulação, são depositárias de verdades eternas. O que pensa disso?
Krishnamurti – Elas continuam sua propaganda habitual a fim de adquirir poder sobre as consciências (fracionadas da Consciência Universal pelo conteúdo que as formam, se auto-mantém na auto-identificação e expansão em seu relacionamento com a natureza, pessoas, coisas e idéias que projetam de si próprias no tempo que criam – o vir a ser – em sua reação, a semelhança do cronológico, o tempo como realização). Procuram apoderar-se da infância para melhor condicioná-la. As religiões das igrejas e dos Estados proclamam a necessidade de todas as virtudes, enquanto a história delas é uma série de violências, terrores, torturas, massacres inacreditáveis.
PLANETA – Todas as religiões pregam alguma forma de oração, algum método de contemplação, a fim de entrar em comunhão com uma realidade superior, cujo nome,Deusatmancosmos, etc., varia. Que ato religioso o senhor pratica? Costuma rezar?
Krishnamurti – A repetição de palavras sagradas apenas adormece a mente agitada. A oração é um calmante que permite ao indivíduo viver no interior de seu reduto psicológico sem sentir a necessidade de destruí-lo. O mecanismo da oração, como todos os mecanismos, dá resultados mecânicos. Não existe oração que seja capaz de penetrar a ignorância de si mesmo. Toda oração dirigida ao que é ilimitado (atemporalidade da mente) pressupõe que o indivíduo limitado (fracionamento, temporalidade constituída pelas projeções em busca de satisfação e prazer) sabe onde e como atingir o ilimitado.
PLANETA – Não seria possível ao homem moderno comunicar-se melhor com a realidade do universo graças a uma consciência devidamente esclarecida e ampliada?
Krishnamurti – Aquele que deseja ampliar sua consciência pode escolher, entre as psicodrogas, aquela que melhor lhe convém. Quanto ao fato de se comunicar melhor com o universo graças a um acúmulo de informações e de conhecimentos científicos a respeito do átomo ou das galáxias, seria o mesmo que dizer que uma imensa erudição livresca a respeito do amor nos faria conhecer o amor.
Isso quer dizer que o homem possui idéias, conceitos, crenças a esse respeito e está PRESO num sistema de explicações, numa prisão mental. Em lugar de liberar o indivíduo, a oração o aprisiona. Ora, a liberdade é a essência da religião, no verdadeiro sentido da palavra.
Essa liberdade essencial é negada por todas as organizações religiosas, apesar de afirmarem o contrário. Muito antes de ser um estado de oração, o conhecimento de si é o início da meditação (ação sem centro contínuo de ação). Não é nem um acúmulo de conhecimentos psicológicos, nem um estado de submissão religiosa, do qual se espera a graça. É isso que destrói as disciplinas impostas pela sociedade ou pela Igreja.
Trata-se de um estado de atenção (plena a sua própria funcionalidade não sendo possível nessa AÇÃO a interferência do passado) e não de uma concentração sobre algo particular. A mente estando tranqüila e silenciosa observa o mundo exterior e não projeta (de si mesma) mais nenhuma imaginação nem ilusão. Para observar o movimento da vida, o cérebro é tão rápido quanto ela, ativo e sem direção (objetivo). Somente então o imensurável, o intemporal, o infinito pode (surgir na ausencia de qualquer atividade ou movimento) nascer. Essa é a verdadeira religião.
PLANETA – Pelo que entendi, o senhor aconselha o homem a descondicionar a totalidade absoluta de sua própria consciência. Aliás, o que me desconcerta mais no seu pensamento é a afirmação insistente de que esse descondicionamento total da consciência não necessita de tempo algum.
Krishnamurti – Se fosse um processo evolutivo, não chamaria mutação. Mutação é uma mudança brusca de estado (deixar de ser, para que algo diferente e realmente novo possa surgir no vazio pela cessação de qualquer movimento de conteúdo mental).
PLANETA – Não imagino um “mutante”, isto é, um homem mudando de estado de consciência, que não carregasse consigo a resultante de todo o passado. O homem modifica o meio e o meio o modifica…
Krishnamurti – Não: o homem modifica o meio e o meio modifica a parte do homem que está ligada à modificação do meio, e não o homem inteiro, na sua profundidade extrema. Nenhuma pressão exterior (compulsão, orientação, proselitismo, ate mesmo volição) pode fazer isso: essa última (qualquer pressão exterior em geral) só modifica as partes superficiais da consciência. Nenhuma análise psicológica pode tampouco provocar a mutação, porque qualquer análise se situa no terreno da duração (chamado tempo psicológico). E nenhuma experiência pode provocá-la, por mais exaltada e “espiritual” que seja. Ao contrário, quanto mais parece ser uma revelação, tanto mais ela condiciona o indivíduo. Nos dois primeiros casos – modificação psicológica produzida pela análise ou pela introspecção e modificação produzida por uma pressão exterior –, o indivíduo não passa por nenhuma transformação profunda: não é modificado, formado, reajustado, de maneira a se adaptar ao meio social. No terceiro caso – modificações provocadas por uma experiência dita espiritual, seja segundo uma fé (crença) organizada, seja segundo uma fé pessoal –, o indivíduo é projetado na fuga que lhe dita a autoridade de algum símbolo. Em qualquer dos casos há a ação de uma força imperiosa que se apóia sobre uma moral social, isto é, um estado de contradição e de conflito. Toda sociedade é contraditória em si mesma. Ora a contradição, o conflito, o esforço, a competição são barreiras que impedem qualquer mutação, porque mutação quer dizer liberdade.
PLANETA – Daí a fuga nos símbolos?
Krishnamurti – Só existem imagens simbólicas nas partes inexploradas da consciência. Até mesmo as palavras não passam de símbolos. Precisamos explodir (penetrando seu sentido íntimo) as palavras.
Vivemos de palavras. Se a chamada vida espiritual é um conflito permanente, é porque introduzimos a pretensão de nos alimentar de conceitos como se, famintos, pudéssemos nos alimentar da palavra “pão”. Vivemos de palavras e não de fatos. Em todos os fenômenos da vida, quer se trate da vida espiritual, da vida sexual, da organização material de nossas atividades ou de nossos lazeres, estimulam-nos com palavras. As palavras se organizam em idéias, em pensamentos e, a partir desses estimulantes, pensamos viver tanto mais intensamente quanto melhor soubermos, graças a eles, criar distâncias entre a realidade, nós, tal qual somos, (ou o que é) e um ideal, a projeção do contrário do que somos (o que deveria, ou gostaríamos de ser). De sorte que voltamos às costas à mutação.
PLANETA – Afinal, o que é essa mutação de que o senhor fala tanto?
Krishnamurti – É uma explosão total do interior (psicológico) das camadas inexploradas da consciência, uma explosão no germe ou, se desejar, na raiz do condicionamento, uma destruição da duração (tempo criado pela imaginação como realização).
PLANETA – Mas a vida é condicionamento. Como podemos destruir a duração e não destruir a vida?
Krishnamurti – Morra para a duração, para a concepção total do tempo (como duração, vir a ser); para o passado, presente e futuro. Morra para os sistemas, para os símbolos, para as palavras, porque são fatores de decomposição. Morra para seu psiquismo (movimento do conteúdo mental – ego), porque é ele quem fabrica o tempo psicológico. Esse tempo não possui nenhuma realidade.
PLANETA – Mas, então, o que nos resta senão o desespero, a angústia, o medo de uma consciência que perdeu todo ponto de apoio, inclusive a noção de sua própria entidade?
Krishnamurti – Se um homem me fizesse essa pergunta dessa maneira, diria que não fez a viagem (não entendeu o que ouviu ou leu), que teve medo de passar para o outro lado do rio.
PLANETA – Suas palavras dão medo. E me pergunto se a consciência não tem necessidade desse medo. Isso explicaria a razão de ele ter sido sempre mantido e alimentado pelas religiões, que, são consideradas como refúgios e tranqüilizantes. Elas mantêm o medo impedindo a consciência de se enxergar realmente. Elas interpõem, entre a consciência e a realidade, o véu das teologias.
Krishnamurti – Esse problema é ao mesmo tempo profundo e vasto. Procuremos abordá-lo, por assim dizer, tateando os diversos lados. O medo é tempo e pensamento (é tempo, é pensamento mensurando-se). O pensamento tanto dá continuidade ao medo quanto ao prazer. Esse fato é simples: ao pensar no objeto do nosso prazer, atribuímos continuidade ao prazer, e fazemos o mesmo com o medo, ao pensar no objeto de nosso medo. Se, ao contrário, encontramos face a face (somos o que vemos psicologicamente em movimento) o objeto de nosso medo, ele deixa de existir (não havendo qualquer movimento ele CESSA – cessamos como consciência pejada em movimento – passamos a existir descontinuamente como consciência sem coisa alguma impregnada, ou VAZIA).
PLANETA – Como assim?
Krishnamurti – Falo do medo psicológico (mensurações de situações hipotéticas), não do medo de um perigo físico que procuramos afastar, que é natural. Considere o medo da morte. Em que consiste exatamente? Dividimos a totalidade do fenômeno vital (o existir) em vida e morte. A vida é conhecida; da morte, no entanto, não sabemos nada. Temos medo do que não conhecemos ou temos medo de perder o que conhecemos? É evidente que vida e morte são dois aspectos do mesmo fenômeno (que culturalmente separamos). Se deixarmos de considerá-los como dois fenômenos diferentes, não existe mais conflito.
PLANETA – Mas não existe um medo fundamental?
Krishnamurti – Não. O medo é sempre o medo de alguma coisa. Todo medo, mesmo inconsciente, é o resultado de um pensamento. O medo geralmente difundido em todos os domínios é o medo psicológico, no interior do ego, são sempre o medo de NÃO SER. De não ser isso ou aquilo, ou simplesmente de não ser. A contradição evidente entre o fato de tudo que existe (temporalidade) ser transitório e a procura de uma permanência psicológica (perpetuidade) – eis a origem do medo.Veja também: Conversa entre Krisnhamurti e o físico David Bohn

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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Texto Representativo da Obra de Krishnamurti
Krishnamurti. Bombaim. 10/02/1985. K. F. Bulletin 54 (1988) – Carta de Notícias. Janeiro-Dezembro 1991. ICK.

Instituição Cultural Krishnamurti 

Nesta noite, vamos percorrer um longo caminho. Ontem estivemos tratando do sofrimento e do findar do sofrimento. Quando o sofrimento chega ao fim, há paixão. Pouquíssimos de nós realmente compreendem a questão do sofrimento ou nela penetram profundamente. Será possível liquidar, de vez, o sofrimento? Todos os seres humanos têm feito essa pergunta, embora, talvez, não muito conscientemente, mas, no fundo, todos querem saber se a dor e o sofrimento humano podem acabar. Enquanto o sofrimento não termina, não pode haver amor.
O sofrimento é um violento golpe no sistema nervoso, como um soco no corpo e na psique. E geralmente tentamos escapar dele através de drogas, bebida,movimentos religiosos – ou, então, acabamos cínicos ou passamos a aceitar as coisas como inevitáveis.
Será que podemos investigar, a fundo e com seriedade, se é possível ficar com o problema sem fugir dele? Suponhamos que perca meu filho e, sofrendo com isso um grande choque, experimentando uma dor imensa, descubra que sou um ser humano extremamente solitário. Não consigo encarar nem suportar a situação e, por isso, fujo dela. Há inúmeras formas de fuga – religiosas, mundanas ou filosóficas. Mas será que posso permanecer com o que aconteceu, com essa coisa chamada sofrimento, sem procurar, de modo algum, fugir da dor, da angústia, da solidão, da aflição, do abalo? Será que podemos observar um problema, observá-lo apenas, sem procurar resolvê-lo, olhar para ele como se fosse uma jóia preciosa, de fino acabamento? Para uma coisa bonita olhamos sem parar, sem qualquer desejo de fugir dela; sua beleza nos atrai tanto e tanto prazer nos proporciona que ficamos olhando para ela o tempo todo. Se, da mesma forma, pudermos observar nosso sofrimento, sem um movimento sequer de julgamento ou fuga, ficar com a tristeza… nesse caso, a própria ação de ficar com o fato nos liberta completamente daquilo que produziu a dor. Voltaremos a isso depois.
Desejamos também considerar o que é a beleza – não a beleza de uma pessoa nem de quadros e estátuas de museus, nem os mais remotos esforços do homem para transmitir seus sentimentos através da pedra, da pintura ou de um poema, mas indagar a nós mesmos o que é a beleza. Talvez a beleza seja a verdade. Talvez seja o amor. Sem compreendermos a natureza e a profundidade dessa coisa extraordinária que é a beleza, jamais chegaremos ao que é sagrado. Examinemos, portanto, a questão da beleza.
O que acontece quando vemos algo grandioso como a montanha coberta de neve contra o céu azul? Por um segundo a majestade da montanha, com sua imensidão, com seu belo recorte contra o céu azul apaga toda nossa preocupação com nós mesmos. Nesse segundo, não há “ninguém” a olhar. Por um segundo, a grandiosidade da montanha afasta todo sentimento egocêntrico do nosso viver. Certamente que já devem ter notado isso. Já observaram uma criança com um brinquedo? Durante o dia inteiro ela fez travessuras (o que é normal), e então damos um brinquedo a ela. Agora, por um bom tempo, até que escangalhe o brinquedo, ela permanece tranqüila; o brinquedo dissipou sua agitação, absorveu-a. Assim também quando vemos algo extremamente belo – a beleza nos absorve? Significa isso que só há beleza quando cessa a luta do eu, quando não existe mais egocentrismo. Compreendem isso? Se não ficamos absorvidos nem impressionados por algo muito belo, como uma montanha ou um vale cheio de sombras; se não somos arrebatados pela montanha, podemos compreender a beleza sem o ego? Quando o eu está presente, não há beleza; quando existe egocentrismo, não há amor; e o amor e a beleza estão sempre juntos – não são duas coisas separadas.
Temos de tratar também da morte. Isso é uma coisa que todos precisamos encarar. Sejamos ricos ou pobres, ignorantes ou eruditos, jovens ou velhos, a morte é inevitável para todos nós; todos vamos morrer. E nunca fomos capazes de compreender a natureza da morte; estamos sempre com medo de morrer, não estamos? Para compreender a morte temos de indagar o que é o viver, o que é a nossa vida, pois estamos desperdiçando a nossa vida, estamos desperdiçando nossas energias de muitas maneiras, nas muitas profissões especializadas. Pode ser que sejam ricos, muito competentes, que sejam especialistas, um grande cientista ou um homem de negócios; pode ser que tenham poder, posição, mas, no fim da vida, será que tudo isso não foi um desperdício? Toda essa lida, sofrimento, essa enorme ansiedade e insegurança, as tolas ilusões que o homem acumulou (deuses, santos, etc.), não será tudo isso um desperdício? Por favor, essa é uma pergunta séria, que cada um tem de fazer a si próprio.
Ninguém pode responder por nós. Costumamos separar o viver do morrer. A morte fica lá no fim da vida; nós a colocamos o mais longe possível – depois de muito tempo. Mas, ainda que seja uma longa jornada, temos de morrer. E o que é isso a que chamamos viver – ganhar dinheiro, ir ao escritório das nove às cinco? E com isso sofremos interminável conflito, temor, ansiedade, solidão, desesperança, depressão. Mas será que toda essa existência a que chamamos vida, viver (essa imensa vicissitude do homem com seu conflito sem fim, decepção, degradação) – será isso viver? Mas é a isso que chamamos viver; é isso que conhecemos, é como isso que estamos familiarizados, essa é a nossa existência diária. E a morte significa o fim de tudo, o findar de tudo que pensamos, acumulamos e gozamos. E vivemos apegados a tais coisas. Estamos apegados à família, ao dinheiro, aos conhecimentos, às crenças com as quais temos convivido, aos ideais. Estamos apegados a tudo isso. E a morte vem e diz: “Esse é o fim de tudo, meu velho”.
Tememos morrer, isto é, deixar tudo que conhecemos, tudo que experimentamos, reunimos – nossa encantadora mobília e a bela coleção de quadros de pintura. A morte chega e diz: “Nada mais lhe pertence.” É por isso que nos apegamos ao conhecido e tememos o desconhecido. Podemos inventar a reencarnação, que devemos renascer numa próxima vida. Mas nunca indagamos o que nasce na vida seguinte. O que renasce é um feixe de memórias.
A pergunta, portanto, é esta: por que o cérebro separou o viver (que é conflito e tudo o mais) do morrer? Por que essa divisão? Existe essa divisão quando há apego? Podemos viver no mundo moderno com a morte? Não estamos falando de suicídio, mas em acabar com o apego (e isso é a morte) enquanto vivemos. Estou apegado à casa em que vivo – comprei a casa por um bom dinheiro e apego-me ao mobiliário, aos quadros, à família, a todas essas memórias.
Então chega a morte e acaba com tudo. Mas será que podemos conviver diariamente com a morte, dando um fim a tudo no fim de cada dia, eliminando todo nosso apego? Isso é o que significa morrer. Como costumamos separar o viver do morrer, estamos sempre com medo.
Quando levamos juntos, contudo, a vida e a morte, o viver e o morrer, então descobrimos que há um estado cerebral em que cessa todo conhecimento como memória.
Precisamos do conhecimento para escrever uma carta, vir até aqui, falar inglês, fazer a contabilidade, ir para casa etc. Mas será que podemos usar o conhecimento sem sobrecarregar a mente? Poderá o cérebro usar o conhecimento quando necessário, mas estar livre de todo conhecimento? Nosso cérebro está sempre registrando; agora mesmo estão registrando o que se está dizendo. O registro torna-se memória e a memória, nesse registro, é necessária em certo domínio, no domínio da atividade física. Por conseguinte, pode o cérebro usar o conhecimento quando necessário mas estar livre do velho conhecimento? Pode o cérebro estar livre para funcionar perfeitamente noutra dimensão? Todos os dias, portanto, quando forem dormir, eliminem tudo que acumularam; morram no fim do dia.
E então ouvimos uma declaração como esta: viver é morrer; viver e morrer não são duas coisas diferentes. Se não ouvirem essa declaração com os ouvidos apenas, se estiverem escutando com muita atenção, perceberão a verdade do fato, perceberão a realidade. E, imediatamente, verão como isso é claro. Assim, será que, no fim do dia, podemos morrer para tudo que não for necessário? Morrer para a lembrança de nossas mágoas, nossas crenças, temores, ansiedades, infortúnios – será que podemos pôr fim a tudo isso diariamente? E aí descobrimos que estamos vivendo com a morte o tempo todo, pois a morte é o fim.
Precisamos, de fato, investigar essa questão do findar. Nunca terminamos, definitivamente, coisa alguma; só quando conseguimos alguma vantagem com isso, alguma recompensa. Mas, será que podemos viver assim no mundo de hoje – liquidando tudo voluntariamente, sem pensar no futuro, sem esperar por algo “melhor”, ter, portanto, uma maneira holística de viver, vivendo e morrendo a cada momento? Estamos tratando juntos de coisas que o homem se vem ocupando há um milhão de anos – o viver e o morrer. Temos, portanto, de examinarmos juntos o problema e não reagir a ele, dizendo: “É, mas eu creio na reencarnação” – pois, nesse caso, termina o diálogo entre nós.
Estamos apegados a um mundo de coisas – ao nosso guru, ao conhecimento acumulado, ao dinheiro, às crenças com que temos vivido, aos ideais, à memória de nosso filho ou filha e por aí afora. Nós somos a memória. Nosso cérebro é todo memória – não somente a memória dos conhecimentos recentes mas também a dos remotos, a memória profunda que conserva o que foi o animal, o macaco. Fazemos parte dessa memória e estamos apegados a toda essa consciência. Certo? Isso é um fato. Aí chega a morte e diz: “Acabou o seu apego.” E nós tememos tal coisa, tememos ficar completamente libertos disso tudo. A morte, no entanto, retira de nós tudo que adquirimos. Podemos inventar e dizer: “Sim, mas eu continuo na próxima vida.” Mas o que é que continua? Compreendem a pergunta? Que significa o desejo de continuar? Haverá alguma espécie de continuidade a não ser a da sua conta bancária, ir diariamente ao escritório, a rotina do culto e a continuidade das crenças – tudo que o pensamento criou?
O pensamento é limitado e, assim, cria conflito – já vimos isso. E o eu, o ego, a persona é um complicado feixe de memórias, antigas e recentes. Vivemos de memórias. Vivemos do conhecimento, adquirido ou herdado; somos o produto do conhecimento. O eu é o conhecimento resultante das experiências passadas, dos pensamentos etc. Isso é que é o eu. O eu pode inventar que há algo divino em nós; mas isso ainda é atividade do pensamento. E o pensamento é sempre limitado. Podem ver isso por si mesmos; não precisam ler livros nem estudar as filosofias; podem perceber claramente por si próprios que são um feixe de memórias. E a morte põe fim a toda memória. Eis porque ficamos atemorizados. A questão, portanto, é esta: podemos conviver com a morte no mundo moderno?
Agora devemos também examinar juntos o que é o amor. Será que o amor é sensação? Será desejo? Será prazer? Será coisa criada pelo pensamento? Será que amam a esposa ou o marido ou os filhos? Será que o amor é ciúme? Não digam que não. Será que o amor é medo, ansiedade, sofrimento e tudo mais? O que é o amor? E sem esse quê, esse perfume, essa chama (ainda que sejam ricos, tenham poder, posição, importância) sem amor, serão apenas uma concha vazia. Precisamos, por conseguinte, aprofundar essa questão do amor. Se amassem seus filhos, haveria guerras? Se amassem seus filhos, permitiriam que eles matassem outros? Pode haver amor quando existe ambição? Por favor, enfrentem tudo isso. Mas não conseguimos porque estamos presos a uma rotina, à sensação repetida de sexo etc.
O amor nada tem que ver com prazer, com sensação. O amor não provém do pensamento; não faz parte, por isso, da estrutura do cérebro. É algo que está completamente fora do cérebro, pois o cérebro, por sua própria natureza, é instrumento da sensação, das reações nervosas etc. Quando há sensação, não existe amor. O amor não é coisa da memória.
E temos que discutir sobre a vida religiosa e a religião. Essa é uma questão muito complexa. Os seres humanos vêm buscando alguma coisa que esteja além do mundo físico, além da existência diária do sofrimento, dor ou prazer. Têm buscado algo transcendente, primeiro nas nuvens, sendo o trovão a voz de deus. Depois, cultuaram árvores, pedras – e os aldeões que vivem longe desta feia e detestável cidade ainda veneram pedras, árvores, pequenas imagens.
O homem deseja saber se existe alguma coisa sagrada e, então, chega o sacerdote e diz: “Vou-lhe mostrar” – é exatamente o que faz o guru. Os sacerdotes do Ocidente possuem seus rituais, frases de repetição, roupas ornamentadas e o culto a imagens. E os daqui também têm suas próprias imagens. Há os que não acreditam em nada disso; são ateus e se dizem humanitaristas. Mas os que ouvem a este que fala querem descobrir se há algo fora do tempo, além do pensamento. Vamos, portanto, investigar juntos, exercitar nosso cérebro, nossa razão, nossa lógica para averiguar o que é religião, o que é vida religiosa e se é possível viver uma vida religiosa neste mundo moderno.
Investiguemos, por conseguinte, para descobrir o que, de fato e verdadeiramente, é a vida religiosa. E só podemos descobrir isso quando compreendemos o que são as religiões e as descartamos totalmente – não quando pertencemos a uma religião, a uma organização, um guru ou determinada autoridade que se diz espiritual. Não há autoridades espirituais; esse é um dos crimes que cometemos: inventar um mediador entre nós e a verdade.
Quando indagamos o que é religião, nessa própria indagação já estamos vivendo religiosamente; não no fim dela. No processo mesmo de olhar, observar, discutir, duvidar, objetar, não ter crença nem fé, nessa própria investigação já estamos levando uma vida religiosa. Vamos fazer isso agora.
Tratando-se de assunto religioso, parece que perdem a razão, a lógica, o bom senso. Precisamos, portanto, ser lógicos, racionais, descrentes, indagadores em relação a tudo que o homem criou – deuses, salvadores, gurus e toda sua autoridade; precisamos eliminar, completamente, tudo isso. Nada disso é religião; é apenas a autoridade que alguns poucos assumem. Nós é que lhes conferimos autoridade.
Já notaram que, sempre que há desordem social e política nas relações humanas, aparece um déspota, um ditador? Temos recentes exemplos disso. Sempre que há desordem em nossa vida, criamos uma autoridade; somos responsáveis pela autoridade e existem pessoas prontas a aceitar essa autoridade. Sempre que há medo, inevitavelmente o homem procura um meio de se proteger, de se manter em segurança, uma vez que ele se sente atemorizado. E é por causa desse medo que inventamos deuses. Por causa desse medo é que inventamos os rituais e todo esse circo a que damos o nome de religião. Todos os templos neste país, todas as igrejas e mesquitas, tudo isso foi o pensamento que criou. Podem afirmar que há uma revelação sem jamais duvidarem de tal coisa. Mas ponham em dúvida essa revelação.
Acontece que aceitam; se usarem, contudo, a lógica, a razão, o bom senso, perceberão como acumulam superstições – e nada disso, obviamente, é religião. Será que podem descartar tudo isso para descobrir a essência da religião, qual é a mente, o cérebro, capaz de viver religiosamente? Será que podem, como seres humanos cheios de temor, viver sem inventar nada, sem criar ilusões, e enfrentar o medo? O medo psicológico pode desaparecer completamente quando ficamos com ele, sem fugir dele, dando a ele total atenção. É como lançar um jato de luz sobre o medo, um forte jorro de luz; o medo se extingue por completo. E, quando não há medo, já não há mais deuses, já não mais rituais, pois tudo isso se torna desnecessário, estúpido. As coisas que o pensamento inventa nada têm que ver com religião, pois o pensamento não passa de um processo material resultante da experiência, do conhecimento e da memória. É o pensamento que inventa todo o palavrório e estrutura das religiões organizadas, que já perderam totalmente a significação. Será que, voluntariamente, podem rejeitar tudo isso sem esperar por uma recompensa? Será que querem fazer isso? Se fizerem, então ninguém mais perguntará o que é religião.
E haverá alguma coisa que ultrapasse o tempo e o pensamento? Podem fazer essa pergunta mas, se o pensamento inventar que existe algo transcendente, isso ainda constitui um processo material. O pensamento é um processo material que acumula o conhecimento nas células cerebrais. O orador não é cientista, mas podem ver isso em si mesmos, podem observar em seu próprio cérebro a atividade do pensamento. Desse modo, se puderem desfazer-se de tudo isso voluntariamente, sem oposição nem resistência, nesse caso, inevitavelmente, indagarão: existirá algo que esteja além do tempo e do espaço? Haverá algo jamais visto antes por qualquer outro homem? Haverá algo imensamente sagrado? Haverá algo jamais tocado pelo cérebro? E é isso que vamos descobrir, se é que já deram o primeiro passo, o de varrer completamente toda essa baboseira chamada religião. Quando usam o cérebro e a lógica, podem duvidar, indagar.
Assim, o que significa a meditação que faz parte dareligião? O que é meditação? Será fugir do tumulto, ter uma mente silenciosa, uma mente tranqüila e pacífica? E, para ficarem atentos, para manterem os pensamentos sob controle, praticam um sistema, um método, um processo. Sentam-se de pernas cruzadas e repetem um mantra qualquer. Disseram-me que essa palavra, etimologicamente, significa “ponderar”, “não vir a ser”, “absorver”, “eliminar toda atividade egocêntrica”. Mas nós repetimos, repetimos, repetimos e continuamos vivendo egocentricamente, egoisticamente, pois mantra perdeu o significado.
O que é, pois, meditação? Será um esforço consciente? Costumamos meditar conscientemente, praticar a fim de conseguir alguma coisa – uma mente ou um cérebro tranqüilo, um estímulo para o cérebro. Mas qual é a diferença entre esse meditador e o homem que diz “Quero dinheiro e vou trabalhar para obtê-lo?” Qual é a diferença entre os dois? Ambos estão buscando alguma coisa. Só que a busca de um classificamos de espiritual e a do outro, de mundana. Não obstante, ambos estão buscando algo. Assim, para o orador, isso não é meditação; meditação nada tem que ver com qualquer desejo consciente e deliberado como produto da vontade.
Precisamos indagar, portanto, se há alguma espécie demeditação que não seja produzida pelo pensamento. Haverá alguma espécie de meditação da qual não estejamos consciente? Compreendem isso? Nenhum processo deliberado de meditação é meditação. Isso é tão claro! Podem sentar-se de pernas cruzadas pelo resto da vida, meditar, respirar e praticar tudo mais sem que cheguem sequer perto da outra coisa, pois isso não passa de uma ação intencional para conseguir um resultado – causa e efeito. Mas o efeito torna-se a causa e, assim, acabam presos num círculo. Haverá uma espécie demeditação que não resulte do desejo, da vontade, do esforço? O orador afirma que há. Mas não precisam acreditar nisso; pelo contrário, devem duvidar, indagar, assim como o orador indagou, duvidou, rejeitou. Haverá uma espécie de meditação não planejada nem organizada? Para examinar isso, precisamos compreender o cérebro condicionado, o cérebro limitado, o cérebro que tenta alcançar o ilimitado, o imensurável, o atemporal, se é que existe esse atemporal. E, para isso, é necessário compreender o som. Som e silêncio são inseparáveis.
Costumamos separar o som do silêncio. O som é o mundo; o som é a batida do coração; o universo está repleto de sons; os céus, as milhares de estrelas, todo o firmamento está cheio de som. E consideramos o som uma coisa intolerável. Mas, quando escutamos o som, o próprio ato de escutar é silêncio. O silêncio não se separa do som. A meditação, portanto, não é algo planejado, organizado. A meditação apenas é. Começa com o primeiro passo que é o estar livre de todos os ressentimentos, livre de tudo que já acumulamos – temores, ansiedades, solidão, desespero, sofrimento. Essa é a base, o primeiro passo e o primeiro passo é o último passo. Se derem o primeiro passo, termina tudo. Mas não estamos com vontade de dar esse primeiro passo porque não queremos ser livres. Queremos depender – do poder, de pessoas, do meio-ambiente, de nossa experiência, do conhecimento. Nunca nos libertamos da dependência, do medo.
No findar do sofrimento está o amor. E nesse amor há compaixão. A compaixão tem sua própria inteligência. E quando age a inteligência, atua a própria verdade. Quando essa inteligência está presente, não há conflito. De tudo já ouviram falar – da cessação do medo, do findar do sofrimento, da beleza e do amor. Mas uma coisa é ouvir, e outra, agir. Ouvem tudo isso (que é verdadeiro, lógico, sensato, racional) mas não agem de acordo com isso. Vão para casa e começa tudo de novo – as preocupações, os conflitos, toda a miséria. Assim, perguntamos: qual é a finalidade de tudo isso? Que adianta ouvir este orador e não viver o que ele diz? Quando ouvimos e não agimos, desperdiçamos nossa vida; se ouvirem algo verdadeiro e não agirem, estarão desperdiçando a vida. E a vida é algo muitíssimo precioso – é a única coisa que temos. E acontece que perdemos também contato com a natureza, o que significa que perdemos contato com nós mesmos, parte que somos danatureza. Não amamos as árvores nem os pássaros nem as águas nem as montanhas. Estamos a nos destruir uns aos outros. E tudo isso é desperdício de vida.
Quando percebemos toda essa coisa não apenas intelectualmente nem verbalmente, então vivemos uma vida religiosa. Botar uma tanga, tornar-se pedinte ou entrar para um mosteiro, nada disso é vida religiosa. A vida religiosa começa quando cessa o conflito, quando existe amor. Podemos amar uma pessoa (esposa ou marido), mas aquele amor é para todos os seres humanos, não se destina a uma só pessoa, não é restritivo. Portanto, se empenharem coração, mente e cérebro haverá algo que transcende o tempo. E aí estará a bênção – não nos templos, nas igrejas nem mesquitas. Essa bênção estará onde estivermos.
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terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Conversa entre J.Krishnamurti e o Físico David Bohm :
O pensamento é limitado

1º Diálogo em 11 de Junho de 1983 entre J.Krishnamurti e o Físico David Bohm

                                 realizado em Brockwood Park, Inglaterra.

Veja também: O Físico, o Xamã e o Místico – Patrick Drouot

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quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Uma visão geral sobre a vida e obra deKrishnamurti
[http://www.jkrishnamurti.org/pt/]
Jiddu Krishnamurti nasceu em 11 de maio de 1895 em Madanapele, uma pequena vila no sul da Índia. Ele e seu irmão foram adotados em sua juventude pela Dra. Annie Besant, então presidente daSociedade Teosófica. Dra.Besant e outros proclamaram que Krishnamurti seria o instrutor do mundo, vindo como os teosofistas haviam previsto. Para preparar o mundo para sua chegada, uma organização internacional chamada Ordem da Estrela do Oriente foi formada e o jovemKrishnamurti tornado seu líder.
Em 1929, entretanto, Krishnamurti renunciou ao papel que lhe fora destinado, dissolveu a Ordem com seus inúmeros seguidores e devolveu todo o dinheiro e a propriedade doados para seu trabalho.
A partir de então, por quase sessenta anos, até sua morte em 17 de fevereiro de 1986, ele viajou pelo mundo falando para grandes audiências e indivíduos sobre a necessidade de uma mudança radical na humanidade.
Krishnamurti é tido mundialmente como um dos maiores pensadores e instrutores religiosos de todos os tempos. Ele não apresentava nenhuma filosofia ou religião, mas falava sobre coisas que preocupam a todos nós em nossa vida diária, dos problemas do viver numa sociedade moderna com sua violência e corrupção, da busca individual por segurança e felicidade e da necessidade da humanidade de se livrar do peso interior do medo, da dor e da tristeza. Ele explicou com grande precisão o funcionamento da mente humana e apontou a necessidade para trazer à nossa vida diária uma qualidade profundamente meditativa e espiritual.
Krishnamurti não pertencia a nenhuma organização religiosa, seita ou país, nem estava associado a qualquer escola política ou pensamento ideológico. Pelo contrário, ele afirmou que estes são os verdadeiros fatores que dividem os seres humanos e que trazem o conflito e a guerra. Ele lembrava incessantemente aos seus ouvintes que antes de sermos hindusmuçulmanos, ou cristãos, somos seres humanos, que somos iguais ao resto da humanidade e que não somos diferentes uns dos outros. Ele pediu que andemos suavemente por esta terra sem nos destruir ou ao meio ambiente. Ele transmitiu aos seus ouvintes um profundo senso de respeito pela natureza. Seus ensinamentos transcendem os sistemas de crenças feitos pelo homem, o sentimento de nacionalismo e de sectarismo. Ao mesmo tempo, eles dão um novo sentido e direção à busca da humanidade pela verdade. Seus ensinamento, além de serem relevantes à idade moderna, são atemporais e universais.
Krishnamurti não falava como um guru, mas como um amigo. Suas palestras e discussões não são baseadas num conhecimento tradicional, mas em seus próprios vislumbres sobre a mente humana e sua visão do sagrado, portanto ele sempre transmite uma sensação de frescor e clareza, apesar da essência de sua mensagem ter se mantido inalterada através dos anos.
Quando se dirigia a grandes audiências, as pessoas sentiam que Krishnamurti estava falando com cada uma delas pessoalmente, sobre seus problemas em particular. Em suas entrevistas privadas ele era um professor compassivo, ouvindo atentamente o homem ou mulher que vinha a ele em sofrimento, encorajando-o a curar a si mesmo através do seu próprio entendimento. Estudiosos de religião descobriram que suas palavras lançavam uma nova luz aos conceitos tradicionais. Krishnamurti aceitou desafios de cientistas modernos e psicólogos e os acompanhou passo a passo, discutiu suas teorias, eventualmente capacitando-os a enxergar os limites dessas teorias. Krishnamurti deixou um imenso acervo em forma de discursos públicos, escritos, discussões com professores e estudantes, com figuras religiosas e científicas, conversas com indivíduos, entrevistas em televisão e rádio e cartas. Muito deste material foi publicado como livros, áudio e vídeos.
Mais informações sobre a vida de Krishnamurti podem ser encontradas nas biografias escritas por Mary Lutyens e Pupul Jayakar.
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terça-feira, 8 de janeiro de 2013

  Como o cérebro pode transforma-se a si mesmo? 
J. Krishnamurti

Série: Um mundo de paz – 1º Palestra, 27 agosto 1983 – Broekwood Park –

Como o cérebro pode transforma-se a si mesmo?
– É possível efetuar uma mutação nas próprias células cerebrais condicionadas por milhares de anos?
– Ou se diz que isso não é possível e se põe fim à investigação ou se diz eu realmente não sei.
– Sem qualquer escolha estou consciente de que meu cérebro está condicionado?
– Qual é a natureza do condicionamento?
– É essencialmente experiência e conhecimento?
– Por que a estrutura da psique é essencialmente baseada no conhecimento?
– O que sou eu sem memória?
– É possível viver psicologicamente sem memórias?
– A divisão entre memória e o observador cria conflito.

Poderá também gostar de:
          J. krishnamurti – Como aprender sobre si mesmo?



1º Palestra – Universidade de San Diego, Califórnia, EUA
5 de Abril de 1970.

Como aprender sobre si mesmo?
Se não vamos ser dependentes de algum salvador ou autoridade, então onde procuramos a luz?
Estando fragmentados com desejos contraditórios, não tendo amor, como vamos observar?
Um fragmento observa o resto?
Você é separado da coisa que observa? Você consegue no momento da violência, no momento de sua raiva, sem o censor?
Quando o observador torna-se o observado, a contradição desaparece?
Podemos nos libertar do conhecimento acumulado?
Existe estupidez se não comparo de modo algum? Você entende alguma coisa através da comparação?

Poderá também gostar de:
J.  Krishnamurti 
Na solidão você pode estar completamente seguro (legendado)

             Diálogo entre David Bohm (Físico), David Shainberg (Psiquiatra), 

             e J.Krishamurti, realizado em Brockwood Park em Maio de 1976.
 
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