O Holomovimento – David Bohm

Fonte: http://onuminosum.blogspot.com.br/2013/01/oholomovimento-david-bohm-centro.html

 
Físico norte-americano, David Bohm foi aluno de J. Robert Oppenheimer e durante a Segunda Guerra estudou os efeitos do plasma nos campos magnéticos, trabalhou no desenvolvimento da bomba atómica. Foi colega de trabalho de Einstein, na Universidade de Princeton. As suas contribuições para a física, principalmente na área da mecânica quântica e da teoria da relatividade, foram significativas. Ainda como estudante de pós-graduação em Berkeley, chegou a uma teoria que desempenha um papel importante nos estudos da fusão – fenómeno hoje conhecido como “difusão de Bohm“. O seu primeiro livro, Teoria quântica, foi publicado em 1951, e considerado por Einstein a exposição mais clara que ele já havia visto sobre o assunto.
 
As visões científica e filosófica de Bohm são inseparáveis. Em 1959, lendo um livro do filósofo indiano Krishnamurti, constatou o quanto as suas idéias sobre mecânica quântica se fundiam com as idéias filosóficas de Krishnamurti. Juntos, promoveram palestras e debates sobre assuntos importantes e que depois foram publicados em livros. No seu livro Totalidade e Ordem Implícita, de 1980, trouxe a teoria sobre as variáveis ocultas e a interpretação superficial da mecânica quântica, propondo que uma ordem oculta atua sob aparente caos e falta de continuidade das partículas individuais de matéria descritas pela mecânica quântica.
 
A Teoria da Ordem Implícita
 
A idéia básica da ordem implícita: “Em geral, a totalidade da ordem abrangente não pode se tornar manifesta para nós; somente um certo aspeto dela se manifesta. Quando trazemos essa ordem abrangente para o aspeto manifesto, temos uma experiência de percepção. Mas isso não quer dizer que a totalidade da ordem seja apenas aquilo que se manifesta. Na visão cartesiana, a totalidade da ordem, pelo menos potencialmente, é manifesta, embora não saibamos como manifestá-la por nós mesmos. Precisaríamos de microscópios, telescópios e outros instrumentos”.
 
A sugestão básica da teoria de Bohm é a de que vivemos num mundo multidimensional e a nossa moradia está situada no nível mais óbvio e superficial: o mundo tridimensional dos objetos, espaço-tempo, ou seja, na ORDEM EXPLÍCITA. Neste nível, explica Bohm, “a matéria é de graduação densa, e embora possa ser descrita em relação a si mesma, não é a maneira de explicá-la e entendê-la com clareza. Infelizmente, nesse nível, é que muitos físicos trabalham hoje em dia, apresentando descobertas na forma de equação de significado obscuro”.
 
Então, o que fazer? Bohm indica o caminho: avançar para um nível mais profundo, para a ORDEM IMPLÍCITA, a fonte ou fundo abrangente de toda a nossa experiência física, psicológica e espiritual. Esta fonte está situada numa dimensão de extrema sutileza, ou seja, na ORDEM SUPERIMPLÍCITA. E não termina aí, pois além dela pode-se postular muitas ordens semelhantes “mergulhando numa fonte ou esfera infinita n-dimensional”. A filósofa Renèe Weer perguntou a Bohm em entrevista se isso ocorreria como na teoria de campo de Einstein. Bohm respondeu: “Na ordem implícita, não somente lidamos sempre com o todo (como faz a teoria de campo), mas também dizemos que as conexões do todo, nada têm a ver com a localização no espaço e no tempo, mas com uma qualidade inteiramente diversa, denominada abrangência”. A entrevistadora pediu maiores explicações: “por outras palavras, o importante é a inexistência de locais de cruzamento ou travessia?”, perguntou ela. A resposta de Bohm: “Nos modelos antigos, ou uma partícula cruza um lugar, ou uma força ou campo de energia cruza esse lugar; portanto, do ponto de vista da ordem implícita, não vemos distinção fundamental entre Einstein e Newton. Dizemos que são diferentes, mas ambos diferem na mesma medida da ordem implícita”.
 
Ao fundo vasto e dinâmico desta teoria, Bohm chamou Holomovimento. Segundo Bohm, oholomovimento está situado na esfera do que é manifesto. O movimento básico doholomovimento é o recolhimento e o desdobramento. “Afirmo que toda a existência é, basicamente, um holomovimento que se manifesta numa forma relativamente estável”
 
Bohm explica que o fluxo está, pelo menos, numa condição de equilíbrio “fechando-se como vórtice que se fecha sobre si mesmo, embora continue a mover-se”. A entrevistadora quis saber mais: – O senhor disse que essas seriam formas mais densas de matéria e não mais subtis ou menos estáveis.
 
Bohm: “Digamos que são formas mais estáveis de matéria. Veja, até a nuvem conserva uma forma estável, de modo a ser vista como uma manifestação do movimento do vento. Da mesma maneira, a matéria como que formaria nuvens no interior do holomovimento e elas manifestariam o holomovimento aos nossos sentidos e pensamentos comuns”.
 
– Seriam todas as entidades e… nós mesmos, com todas as nossas faculdades, formas doholomovimento?

Bohm: “Sim, e também as células, os átomos. Acrescento que isso começa a favorecer a compreensão da mecânica quântica: esse desdobramento constitui uma idéia direta do que é entendido pela matemática da mecânica quântica. Estamos falando precisamente sobre o que é chamado de transformação unitária ou descrição matemática básica do movimento na mecânica quântica. Trata-se simplesmente da descrição matemática do holomovimento“.
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